Contemplemos Jesus frente ao discernimento de sua missão e como a realizaria: sem riqueza, sem poder, sem prestígio, sem triunfalismo e sem vanglória. Assim, devem viver aquelas e aqueles que Ele escolhe para o seguir.
A vida pública de Jesus nos convida a rezar as atividades que realizamos: vocação e missão. Isso não deve ser um fardo, mas ações às quais atribuímos sentido à existência, sabor à vida e oportunidade de crescimento humano e espiritual, aquilo pelo qual vale a pena lutar, empreender forças, entregar a vida. Precisa ser algo que fazemos e nos realiza, ao mesmo tempo em que se torna fator de soma na vida das pessoas que caminham ao nosso lado. Os místicos compreendem bem isso. Kalil Gibran afirmou:
[...] quando trabalhais, realizais parte do sonho mais longínquo da terra, desempenhando assim uma missão que vos foi designada quando esse sonho nasceu. E, apegando-vos ao trabalho, estais na verdade amando a vida. E quem ama a vida através do trabalho, partilha o segredo mais íntimo da vida. [...] E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor. E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros, e a Deus. [...] O trabalho é o amor feito visível (Gibran, 1975, p. 24-25).
Todo trabalho pode e deve ser realizado com amor. Coloquemos o nosso coração em cada ação, gesto, olhar e palavra. Quem os receber, certamente sentirá alegria e será movido a fazer o mesmo. Temos como modelo a pessoa de Jesus Cristo, cujo projeto de vida é de salvação. Por isso, com objetivos bem definidos, provoca incompreensão em uns, frustração em outros e indignação em muitos.
Tenhamos a coragem de seguir Jesus e optar por seu projeto, abrindo-nos ao amor e à vontade do Pai, submetendo-nos aos seus desígnios, que não nos são totalmente conhecidos, porém nos trazem vida verdadeira, plena. E, como Ele, contando com a sua graça, sejamos anunciadores da Boa Notícia, libertemos os presos e oprimidos, ajudemos os cegos a enxergar e chegarem à consciência, curemos os enfermos e colaboremos para que se movam/caminhem os paralíticos.
Esse é o verdadeiro convite à Igreja, que somos nós, a ir ao encontro do outro. Cujas “entranhas” comovem-se frente às necessidades dos irmãos e irmãs. Movida pela compaixão, exerço a misericórdia, deixando-me interpelar pelas exigências evangélicas: Mt 25, 31-46; Mt 9-13; Lc 10, 29-37 e outros.
Sigamos Jesus nas fadigas e desafios, a fim de com Ele gozar, já aqui, e plenamente na vida vindoura, de sua Glória, de sua alegria, de sua consolação, que enche de paz o nosso coração.
Para refletir e rezar:
- Qual é a minha missão pessoal, de vida?
- Faço do meu trabalho meio para servir ao Senhor em meus irmãos e irmãs?
- Estou disposto a sair de mim, de meu comodismo, para ir ao encontro do outro, como Igreja em saída?
Sugestão de leitura: O Príncipe e a Lavadeira: redescobrir a fé cristã, histórias simples para falar de Deus. Nuno Tovar de Lemos. São Paulo: Edições Loyola, 2022.